{"id":287,"date":"2012-08-10T23:47:57","date_gmt":"2012-08-11T02:47:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.colegiadodharmaparishad.net.br\/wp\/?p=287"},"modified":"2012-08-11T11:58:37","modified_gmt":"2012-08-11T14:58:37","slug":"o-ideal-tantrico-da-perfeicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colegiadodharmaparishad.net.br\/?p=287","title":{"rendered":"O ideal t\u00e2ntrico da perfei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a style=\"color: #ff4b33; line-height: 24px;\" href=\"http:\/\/www.colegiadodharmaparishad.net.br\/wp\/?attachment_id=288\" rel=\"attachment wp-att-288\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-288\" title=\"Ideal t\u00e2ntrico da perfei\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/www.colegiadodharmaparishad.net.br\/wp\/image\/idealtantricodaperfeicao.jpg\" alt=\"Ideal t\u00e2ntrico da perfei\u00e7\u00e3o\" width=\"150\" height=\"188\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por: M.M. Gopinath Kaviraj<\/p>\n<p>Traduzido do Bengali por:<br \/>\nPt. H. N. Chakravorty<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Os antigos fil\u00f3sofos da \u00cdndia sempre discutiram sobre o objetivo supremo do homem e sua aspira\u00e7\u00e3o no seu\u00a0S\u0101dhana. Neste t\u00f3pico que se segue tentaremos entender o ponto de vista\u00a0T\u00e2ntrico\u00a0em compara\u00e7\u00e3o com a vis\u00e3o no\u00a0S\u0101\u1e41khya\u00a0e\u00a0Ved\u0101nta.<\/p>\n<p>Desprezamos o processo da vida colhendo sempre os frutos de prazer e dor e passando por inumer\u00e1veis transmigra\u00e7\u00f5es de vida. O fator controlador da passagem para uma posi\u00e7\u00e3o superior ou inferior \u00e9 considerado pelas nossas boas ou m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, e a transmigra\u00e7\u00e3o resultante \u00e9 o efeito. Quando uma posi\u00e7\u00e3o superior \u00e9 atingida, a saber, quando algu\u00e9m vai para o c\u00e9u, este algu\u00e9m adquire a oportunidade de desfrutar o prazer e os poderes esse tipo de prazer dura para sempre. Mas imediatamente quando a virtude decresce no corpo nascido com virtude este cai como conseq\u00fc\u00eancia por ter retrocedido \u00e0s regi\u00f5es mundanas dos\u00a0J\u012bvas\u00a0(o Eu individualizado). A regi\u00e3o superior significa aqui\u00a0svarga\u00a0(c\u00e9u, plano celeste) que \u00e9 de duas esp\u00e9cies: uma \u00e9 o c\u00e9u inferior cuja divindade regente \u00e9\u00a0Indra. Este\u00a0svarga\u00a0inferior preenche o desejo daqueles que adoram a divindade com desejo (sak\u0101ma). Aqui o adorador encontra uma longa abertura de vida, a companhia deapsaras\u00a0(divindades celestiais) favor\u00e1veis, a beleza divina, o perfume divino, uma corrente do suco de n\u00e9ctar; estes e outros tipos de prazer est\u00e3o possivelmente dispon\u00edveis para ele. Pelo m\u00e9rito das a\u00e7\u00f5es boas eles s\u00e3o desfrutados, mas como ele n\u00e3o tem o conhecimento da verdade, ele cai do reino debhoga\u00a0(prazer, contentamento) assim que suas boas a\u00e7\u00f5es diminuem. Para eles h\u00e1 umAmar\u0101vat\u012b\u00a0(nome da vila, resid\u00eancia de\u00a0Indra) espa\u00e7oso, o que dizer das outras divindades, elas t\u00eam suas regi\u00f5es de prazer de acordo com seu respectivo poder e autoridade. Cada divindade oferece ao seu adorador a riqueza do prazer. Mas tudo isto depende do\u00a0Karma(a\u00e7\u00f5es) e a caracter\u00edstica\u00a0proeminente\u00a0do movimento pelo caminho de\u00a0Pit\u1e5by\u0101na\u00a0(caminho dos ancestrais p\u00f3s-morte) n\u00e3o contem\u00a0J\u00f1\u0101na. Acima da regi\u00e3o de\u00a0Indra\u00a0e superior a esta agora descrita, existe um outro\u00a0svargasuperior. \u00c9 tamb\u00e9m a regi\u00e3o de prazer. Quando o prazer \u00e9 alcan\u00e7ado em seus v\u00e1rios n\u00edveis, aquele que o sentiu n\u00e3o vivencia a dor da queda, mas vai para a regi\u00e3o superior seguinte. Esta regi\u00e3o se estende at\u00e9Brahmaloka\u00a0(plano celeste de\u00a0Brahman. O mais alto plano) para aquele que segue o caminhoDevay\u0101na\u00a0(caminho dos deuses p\u00f3s-morte). Assim como para o seguidor do caminho dePit\u1e5by\u0101na\u00a0existe\u00a0svarga\u00a0para\u00a0o usufruir\u00a0o prazer, da mesma maneira h\u00e1 inumer\u00e1veis mundos inferiores para sofrer as dores e ele voltar\u00e1 ao mundo para nascer como um\u00a0J\u012bva.<\/p>\n<p>Todo o problema do mundo nasce do\u00a0Karma(a\u00e7\u00f5es). O mundo que se move e o que n\u00e3o e as almas que viajam atrav\u00e9s dos 84000\u00a0Yonies(s\u00edmbolo da energia pro criativa) nascem doKarma, s\u00e3o em suma o alcance da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel somente ao ser humano atuar oKarma. Antes de adquirir o\u00a0manoM\u0101y\u0101\u00a0ko\u015ba(corpo, envelope mental) i.e. n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se fazer uma a\u00e7\u00e3o com oannaM\u0101y\u0101\u00a0ko\u015ba\u00a0(envelope, corpo f\u00edsico denso) epr\u0101\u1e47am\u0101ya\u00a0ko\u015ba\u00a0(envelope, corpo de energia vital). Pela for\u00e7a do\u00a0Karma\u00a0no corpo humano, se\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0(sabedoria) se desenvolve gradualmente, ele adquire a aptid\u00e3o de possuir o\u00a0vij\u00f1\u0101naM\u0101y\u0101\u00a0ko\u1e63a\u00a0(envelope, corpo intelectual de awareness-consci\u00eancia), e seu desenvolvimento posterior o leva a adquirir o\u0101nandaM\u0101y\u0101\u00a0ko\u1e63a\u00a0(envelope, corpo de beatitude). Aqui o mundo ou\u00a0sa\u1e41s\u0101ra\u00a0(mundo fenomenal de fluxo constante) dos quais falamos acima \u00e9 a regi\u00e3o para o\u00a0J\u012bva\u00a0colher o fruto da vida na forma de prazer e dor. Estesa\u1e41s\u0101ra\u00a0\u00e9 infinito, e consiste n\u00e3o s\u00f3 de v\u00e1rios est\u00e1gios, como tamb\u00e9m s\u00e3o de natureza variada. Exatamente quando os inumer\u00e1veissvargas\u00a0(infernos) e\u00a0narakas\u00a0s\u00e3o criados para o prazer e sofrimento atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es feitas pelo corpo humano, da mesma forma, observando internamente, de acordo com a compet\u00eancia e aptid\u00e3o de desfrutar\u00a0\u0101nanda\u00a0e\u015aakti\u00a0(ben\u00e7\u00e3o e poder), v\u00e1rios tipos de\u00a0Ko\u015bachegaram a existir. Tudo isso engloba todo o sistema mundial. Inclui\u00a0svarga,\u00a0naraka, e a regi\u00e3o\u00a0dos Pretas\u00a0(falecidos, entidades p\u00f3s-morte). S\u00e3o as regi\u00f5es para os\u00a0J\u012bvas\u00a0que est\u00e3o externamente propensos e onde eles desfrutam e sofrem os frutos de a\u00e7\u00f5es impuras, uma vez que, o mundo de\u00a0vij\u00f1\u0101na(consci\u00eancia) e\u00a0\u0101nanda\u00a0(beatitude) cujos respectivos\u00a0Ko\u015ba\u00a0t\u00eam rela\u00e7\u00e3o e s\u00e3o as regi\u00f5es para aqueles que est\u00e3o interiormente propensos. Uma pequena parte de\u00a0Sa\u1e41s\u0101ra\u00a0\u00e9 a regi\u00e3o do\u00a0karma\u00a0e o resto \u00e9 o lugar de\u00a0bhoga(prazer).<\/p>\n<p>Na origem da experi\u00eancia de prazer e dor, que \u00e9 chamada de\u00a0bhoga, devido \u00e0s a\u00e7\u00f5es praticadas pelo corpo humano e as v\u00e1rias regi\u00f5es onde o\u00a0J\u012bva\u00a0as vivencia, s\u00e3o criadas a fim de que possa colher o fruto de seus feitos passados. Contanto que ele n\u00e3o perceba a verdadeira natureza do eu ele \u00e9 obrigado a vivenci\u00e1-las e fica incapaz de se livrar delas.<\/p>\n<p>Conhecer o corpo como o Eu \u00e9 ter uma no\u00e7\u00e3o falsa ou\u00a0\u0101j\u00f1\u0101na. Considerar o corpo, a mente, a energia vital ou o intelecto como sendo o Eu verdadeiro de algu\u00e9m \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o falsa de forma indiscriminat\u00f3ria. O homem percebe pela primeira vez com a ajuda de um julgamento discriminador que o Eu n\u00e3o \u00e9 nem este corpo grosseiro, nem o sutil e nem mesmo pertence a qualquer categoria dePrak\u1e5bti\u00a0(natureza, cria\u00e7\u00e3o) individual ou coletivamente. Primeiro ele percebe isto no n\u00edvel intelectual com a ajuda de um julgamento intelectual, mas no final, quando ele percebe intuitivamente que ele est\u00e1 separado n\u00e3o s\u00f3 das vinte e quatro categorias que pertencem ao\u00a0Prak\u1e5bti\u00a0e do corpo feito de vinte e quatro\u00a0tattvas\u00a0(realidade ou categoria de exist\u00eancia c\u00f3smica) e do pr\u00f3prio\u00a0Prak\u1e5bti, neste est\u00e1gio pode-se dizer que ele atingiu o perfeito julgamento discriminador. Depois do surgimento deste julgamento, quando o corpo \u00e9 deixado de lado, e o eu est\u00e1 livre da associa\u00e7\u00e3o com\u00a0Prak\u1e5bti, ele atinge seu estado puro. O que resta dos feitos passados ou por causa de\u00a0\u0101j\u00f1\u0101na\u00a0(no\u00e7\u00e3o falsa) pela qual ele tinha uma forma e assumia um corpo, foi-se para sempre. Isto \u00e9 a cessa\u00e7\u00e3o de\u00a0\u0101j\u00f1\u0101na\u00a0o fator que causa um corpo, o qual se deve ao surgimento de um julgamento discriminador. Neste est\u00e1gio\u00a0Puru\u1e63a\u00a0(o Eu transcendental, esp\u00edrito puro) como o Eu, estando livre da associa\u00e7\u00e3o com\u00a0Prak\u1e5bti, repousa em seu pr\u00f3prio estado de\u00a0cit. Isto \u00e9 chamado deKaivalya\u00a0(isolamento final do Yoga). Inumer\u00e1veis almas ou\u00a0Puru\u1e63as\u00a0depois da obten\u00e7\u00e3o de\u00a0Kaivalya\u00a0(isolamento, emancipa\u00e7\u00e3o,\u00a0mok\u1e63a) repousam em sua gl\u00f3ria imaculada de\u00a0cit\u00a0(principio da intelig\u00eancia universal). \u00c9 um estado al\u00e9m de\u00a0Prak\u1e5bti(mat\u00e9ria causal). Como n\u00e3o existe nenhum tra\u00e7o residual da semente nascida do falso conhecimento (\u0101j\u00f1\u0101na), a ocorr\u00eancia de nascimento \u00e9 muito improv\u00e1vel. O n\u00famero de almas \u00e9 inumer\u00e1vel. Cada alma repousa isolada e n\u00e3o est\u00e1 conectada com nada mais e est\u00e1 dissociada de\u00a0Prak\u1e5bti. Quando ele estava em sua natureza experimental, tinha um corpo para vivenciar o prazer e a dor atrav\u00e9s de diferentes ciclos de transmigra\u00e7\u00f5es. Mas agora todos os\u00a0sa\u1e41karas\u00a0(impress\u00f5es, tend\u00eancias pr\u00e9-natais) de a\u00e7\u00f5es passadas s\u00e3o queimados pelo seu conhecimento discriminativo e como n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade deles ocorrerem novamente, o estado de\u00a0kavali\u00a0(que atingiukaivalya) esta al\u00e9m do prazer e da dor. Mas com a condi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se pode perceber sua pr\u00f3pria identidade com\u00a0Brahman\u00a0deve-se ficar satisfeito com o estado de isolamento, i.e. neste est\u00e1gio\u00a0kaivalya\u00a0no\u00a0S\u0101\u1e41khya\u00a0parece ser o objetivo final do ser.<\/p>\n<p>Depois de passar o est\u00e1gio de\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0como proposto\u00a0no sistema\u00a0S\u0101\u1e41khya, quando entra-se no est\u00e1gio de\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0como pregado no sistemaVed\u0101nta, atinge-se\u00a0Brahmabh\u0101va\u00a0(atitude expressa, rela\u00e7\u00e3o especial com Deus). \u00c9 um tipo de\u00a0Kaivalya. No est\u00e1gio anterior\u00a0citmanifestado antes eram muitos, enquanto que no \u00faltimo est\u00e1gio encontramos\u00a0cit\u00a0em sua totalidade, livre de todas as impurezas (estado de\u00a0nira\u00f1jana\u00a0\u2013 imaculado). Do ponto de vista do\u00a0Advaita\u00a0Ved\u0101nta\u00a0isto \u00e9 considerado ser a meta suprema. A teoria de conhecimento proposta no\u00a0Ved\u0101nta\u00a0\u00e9 diferente daquela doS\u0101\u1e41khya. Da mesma forma a teoria do erro vista no\u00a0S\u0101\u1e41khya\u00a0\u00e9 diferente de erro ou\u00a0\u0101j\u00f1\u0101naexposta no\u00a0Ved\u0101nta. Por causa desta diferen\u00e7a, pela vis\u00e3o\u00a0S\u0101\u1e41khya\u00a0onde nenhum vest\u00edgio deAvidya\u00a0\u00e9 percebido, ainda o \u00e9 sob a vis\u00e3oVed\u0101nta. Este\u00a0\u0101j\u00f1\u0101na\u00a0n\u00e3o deve ser considerado como um tipo de conhecimento indiscriminativo. Enquanto este\u00a0M\u016blavidy\u0101(ignor\u00e2ncia radical) n\u00e3o cessar, o\u00a0J\u012bva\u00a0(alma individual com ego) n\u00e3o pode atingir a Meta Suprema. Pode-se pensar que depois de se chegar ao n\u00edvel de\u00a0advaita, o esfor\u00e7o ou aspira\u00e7\u00e3o a uma aquisi\u00e7\u00e3o posterior ser\u00e1 in\u00fatil. Mas um\u00a0s\u0101dhaka\u00a0ou um Yogui encontra na vis\u00e3o de\u00a0\u0101gama, neste mesmo estagio, uma nova e mais ampla vis\u00e3o de\u00a0advaita\u00a0que se manifesta com toda a gl\u00f3ria e esplendor. Aqui a vis\u00e3o\u00a0advaita\u00a0\u00e9 para ser tomada como vista no\u00a0Tantra\u00a0ou\u00a0\u0100gama. Pelo\u00a0S\u0101dhana\u00a0do\u00a0Ved\u0101nta, a alma encontrou uma firme base na verdade deEkamevadvitiyam\u00a0(Literatura hindu dos\u00a0Tantras). Mas isto \u00e9 uma apar\u00eancia de\u00a0p\u016br\u1e47at\u0101(plenitude), porque mesmo neste estagio por causa da falta de\u00a0sphuratta\u00a0(a manifesta\u00e7\u00e3o) deCit.\u00a0\u015aakti\u00a0que \u00e9\u00a0Sa\u1e43vid\u00a0(conhecimento, consci\u00eancia, intelig\u00eancia), ela pr\u00f3pria, n\u00e3o pode ser chamada de completa (p\u016br\u1e47at\u0101) porque onde h\u00e1 plenitude, surge uma absoluta irrelatividade. De acordo com esta vis\u00e3o a alma \u00e9 a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o de\u00a0\u015aiva\u00a0por natureza. H\u00e1 algumas duvidas sobre isto, mas \u00e9 destitu\u00edda de\u00a0svatantra\u00a0(independ\u00eancia), embora seja a base (adhi\u1e63\u1e6dh\u0101na\u00a0\u2013 suporte, base, substratum) de\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0a qual n\u00e3o se identifica com\u00a0Parasamvit\u00a0(conhecimento supremo) que \u00e9 o Livre Arb\u00edtrio por natureza. \u00c9 verdade que\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0no\u00a0Ved\u0101nta\u00a0\u00e9 capaz de parecer imposs\u00edvel, embora de acordo com aquele sistema\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0n\u00e3o se identifica com a alma. \u00c9 indescrit\u00edvel e falso. De acordo com oVed\u0101nta\u00a0\u0100tman\u00a0como\u00a0Brahman\u00a0\u00e9 destitu\u00eddo de Eu (ahanta).\u00a0Ahanta\u00a0(ego) nasce de\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0por esta raz\u00e3o \u00e9 irreal. Na vis\u00e3o\u00a0T\u00e2ntrica\u00a0ahanta\u00a0\u00e9 a natureza (svar\u016bpa) pertencente ao\u00a0\u0100tman\u00a0que \u00e9 conhecido como\u00a0vimar\u015ba\u00a0(auto-reflexo). No caso da n\u00e3o exist\u00eancia de\u00a0ahanta,\u00a0\u0100tman,embora sendo luz (prak\u0101\u015ba), permaneceria imanifesto.\u00a0\u00a0Bhart\u1e5bhari\u00a0disse:<\/p>\n<p>Vagrupata\u00a0Cdud\u00a0kramedavabodharya\u00a0sasvati<\/p>\n<p>Na\u00a0prak\u0101\u015ba\u00a0as\u00a0hi\u00a0pratyavamarsini<\/p>\n<p>Este\u00a0vak\u00a0ou\u00a0Paravak\u00a0\u00e9 o poder de liberdade que \u00e9\u00a0vimar\u015ba\u00a0(insatisfa\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia) por natureza. O professor\u00a0T\u00e2ntrico\u00a0diz que\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0noVed\u0101nta\u00a0n\u00e3o est\u00e1 em sua forma totalmente desenvolvida de\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0(conhecimento, sabedoria). Quando\u00a0J\u00f1\u0101na\u00a0brilha em sua totalidade, o\u00a0\u0100tman\u00a0encontra-se n\u00e3o s\u00f3 na sua natureza\u00a0advaita, mas percebe que \u00e9 um estado de n\u00e3o dualidade e \u00e9 completo de Livre Arb\u00edtrio (P\u016br\u1e47a\u00a0Sv\u0101tantrya). Este \u00e9 o Eu total.<\/p>\n<p>O que chamamos de cria\u00e7\u00e3o ou de universo criado est\u00e1 em\u00a0\u0100tman\u00a0como um e identificado com ele. O Eu \u00e9 livre e como tal est\u00e1 livre para agir e fazer. N\u00e3o \u00e9 simplesmente um substratum consciente (adhikara\u1e47a). \u00c9\u00a0\u015aivanuma m\u00e3o e\u00a0\u015aakti\u00a0na outra.\u00a0\u015aiva\u00a0\u00e9 capaz de vivenciar uma sensa\u00e7\u00e3o e\u00a0\u015aakti\u00a0tamb\u00e9m.\u00a0\u0100tmancomo\u00a0\u015aiva\u00a0n\u00e3o tem\u00a0spanda\u00a0(vibra\u00e7\u00e3o, tremor), mas, como\u00a0\u015aakti,\u00a0\u00e9 cheio de\u00a0spanda. Os estudiosos de\u00a0\u0100gama\u00a0pressuporam\u00a0\u015aiva\u00a0e\u00a0\u015aakticomo dois princ\u00edpios que est\u00e3o na base do universo e sua composi\u00e7\u00e3o. Se os dois s\u00e3o considerados como iguais ent\u00e3o s\u00e3o conhecidos como o\u00a0\u0100tman. Com base nas trinta e seis categorias h\u00e1 dois\u00a0tattvas, um que \u00e9\u00a0\u015aivae o outro que \u00e9\u00a0\u015aakti.\u00a0\u015aiva\u00a0\u00e9 destitu\u00eddo de liberdade (svantrya), mas tem\u00a0cit\u00a0(consci\u00eancia), enquanto\u00a0\u015aakti\u00a0\u00e9 cheia de liberdade\u00a0mas\u00a0n\u00e3o tem consci\u00eancia (cit\u00a0&#8211; consci\u00eancia pura). Quando\u00a0\u015aiva\u00a0\u015aakti\u00a0s\u00e3o considerados juntos, \u00e9 a plenitude (p\u016br\u1e47at\u0101). Isto se chama\u00a0Parama\u015bivaou\u00a0Parasamvit. Esta \u00e9 a verdadeira natureza (svar\u016bpa\u00a0\u2013 natureza essencial) do Transcendente ou da Verdade Integral. Sob a vis\u00e3o n\u00e3o dualista dos\u00a0\u015aaivas\u00a0chamamos\u00a0deParama\u015biva\u00a0aquele que possui a perfeita liberdade e sob a vis\u00e3o n\u00e3o dualista dos\u00a0\u015aaktas\u00e9 a Liberdade super consciente ou\u00a0Mah\u0101\u015bakti.<\/p>\n<p>Aquele que acredita firmemente na vis\u00e3o acima, percebe que sem atingir este ponto, a realiza\u00e7\u00e3o da vida humana n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. As vis\u00f5es no\u00a0S\u0101\u1e41khya, no\u00a0Ved\u0101nta\u00a0e outros sistemas parecidos s\u00e3o somente lances que conduzem a realiza\u00e7\u00e3o com liberdade e que \u00e9 obtida, porque o esfor\u00e7o do homem n\u00e3o cessa at\u00e9 que ele atinja este objetivo. Visto daqui, como foi explicado antes, sabedoria (J\u00f1\u0101na) noS\u0101\u1e41khya\u00a0n\u00e3o \u00e9 a verdadeira sabedoria e da mesma maneira\u00a0\u0101j\u00f1\u0101na\u00a0tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a ignor\u00e2ncia real. Portanto com a ajuda da sabedoria real como sustentada pelo\u00a0S\u0101\u1e41khya, \u00e9 poss\u00edvel neutralizar a ignor\u00e2ncia e por um fim nela, ainda que a cessa\u00e7\u00e3o dela seja s\u00f3 relativa e n\u00e3o total. De acordo com osT\u00e2ntricos\u00a0o mesmo pode ser feito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sabedoria e ignor\u00e2ncia sustentadas noVed\u0101nta. Os\u00a0T\u00e2ntricos\u00a0s\u00e3o da opini\u00e3o que a verdadeira sabedoria \u00e9 aquela que dissipaanava\u00a0mala\u00a0(impurezas da psique individualizada) que o\u00a0J\u012bva\u00a0possui tendo como conseq\u00fc\u00eancia o seu completo estabelecimento em sua natureza de\u00a0\u015aiva\u00a0resultante de sua habilidade em adquirir liberdade plena.<\/p>\n<p>Pode-se perguntar aqui qual \u00e9 a verdadeira natureza da sabedoria. De acordo com oS\u0101\u1e41khya\u00a0sua natureza \u00e9 que\u00a0\u0100tman\u00a0\u00e9 pura\u00a0cit(consci\u00eancia) e \u00e9 diferente de\u00a0Prak\u1e5bti\u00a0de tr\u00eas elementos. O tipo de conhecimento discriminativo \u00e9 considerado ser o conhecimento real. Como resultado deste conhecimento o esp\u00edrito ou\u00a0Puru\u1e63a\u00a0adquire a libera\u00e7\u00e3o ou\u00a0kevalatva\u00a0(sin\u00f4nimo de\u00a0kaivalya) que est\u00e1 alem do nascimento e da morte. Mas para o\u00a0T\u00e2ntrico\u00a0o limite superior de ascens\u00e3o no\u00a0S\u0101\u1e41khya\u00a0n\u00e3o vai alem.\u00a0\u00a0Parecida com a vis\u00e3o do\u00a0T\u00e2ntra, a natureza da sabedoria de acordo com o sistema\u00a0Ved\u0101nta\u00a0consiste no eu estar al\u00e9m de\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0e sua natureza \u00e9\u00a0Brahmaque \u00e9\u00a0sat-cit-\u0101nanda\u00a0(estado de consci\u00eancia, b\u00ean\u00e7\u00e3o). Esta \u00e9 a natureza imut\u00e1vel (kutastha\u00a0&#8211; imutabilidade) do\u00a0\u0100tman\u00a0(ess\u00eancia ou princ\u00edpio de vida). O resultado da sabedoria perfeita \u00e9 tornar-se livre de\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0(ilus\u00e3o) e estar estabelecido nela (sabedoria). De acordo com este sistema a \u00fanica realidade \u00e9\u00a0\u0100tman,\u00a0masM\u0101y\u0101\u00a0e seu resultado (k\u0101rya\u00a0\u2013 efeito relativo aoKarma) como \u00e9 indescrit\u00edvel, \u00e9 irreal. Por meio de\u00a0kartrlva\u00a0(a\u00e7\u00e3o, agente de a\u00e7\u00e3o) o mundo \u00e9 imposto ao\u00a0\u0100tman\u00a0por causa da super imposi\u00e7\u00e3o (adhy\u0101sa\u00a0&#8211; lugar de estar assentado, assentamento). Por causa deste\u00a0\u012a\u015bvara(senhor, mestre, divino poder), que serve de apoio a\u00a0M\u0101y\u0101, faz-se existir. Mas realmenteBrahma, transcendendo\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0\u00e9 a suprema realidade, este \u00e9 o conhecimento perfeito. O estudioso\u00a0T\u00e2ntrico\u00a0diz, ao contr\u00e1rio, que o conhecimento n\u00e3o termina aqui porque, o conhecimento exposto acima, \u00e9 destitu\u00eddo deahanta\u00a0(Eu). A luz que \u00e9 totalmente luminosa \u00e9 invariavelmente da natureza do Eu completo. Isto \u00e9 o que se denomina\u00a0vimar\u015ba\u00a0(reflex\u00e3o, considera\u00e7\u00e3o &#8211; outro nome do Eu), por causa dele que o Eu (\u0100tman) \u00e9 o que brilha comoParame\u015bvara. Cada alma individual contanto que n\u00e3o atinja esta posi\u00e7\u00e3o, est\u00e1 desprovida completamente de sua natureza manifesta.<\/p>\n<p>De acordo com a vis\u00e3o\u00a0T\u00e2ntrica\u00a0\u00e9\u00a0\u015auddhavidy\u0101(conhecimento metaf\u00edsico) a qual a natureza de conhecimento pertence. \u00c9 distintamente diferente em caracter\u00edstica de\u00a0Prak\u1e5bti,\u00a0M\u0101y\u0101\u00a0e mesmo de\u00a0Mah\u0101m\u0101y\u0101. \u00c9 atribu\u00eddo ao\u00a0J\u012bva, o animal em escravid\u00e3o pelo\u00a0Parama\u015biva\u00a0na forma de Guru, o mestre. No caso da impossibilidade do\u00a0J\u012bva\u00a0receber\u00a0\u015auddhavidy\u0101(conhecimento metaf\u00edsico), ele \u00e9 incapaz de se tornar um\u00a0\u015aiva. A menos que ele n\u00e3o receba\u015auddhavidy\u0101\u00a0na forma de supremo\u00a0mantra\u00a0do Guru ele tem que se contentar com ideais inferiores como\u00a0kaivalya\u00a0etc.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia de\u00a0\u015auddhavidy\u0101\u00a0vem do Grande Senhor. Pode acontecer ou durante a cria\u00e7\u00e3o ou dissolu\u00e7\u00e3o quando a cria\u00e7\u00e3o cessa. Mas quando ocorrer, t\u00e3o logo a alma adquire forma para receb\u00ea-lo, o Grande Senhor lho oferece. Embora n\u00e3o haja restri\u00e7\u00e3o de tempo, ainda existe uma diferen\u00e7a de opini\u00e3o sobre a qual a forma do recipiente deste conhecimento superior depende. Apesar da diferen\u00e7a de vis\u00f5es cada opini\u00e3o tem sua verdade ainda que para um entendimento claro do assunto somente tr\u00eas vis\u00f5es foram discutidas aqui. Dentre elas uma \u00e9 o amadurecimento\u00a0dosMalas\u00a0(impurezas da mente &#8211; um dos defeitos), a segunda \u00e9 o equil\u00edbrio do\u00a0Karma\u00a0e a terceira \u00e9 o livre arb\u00edtrio\u00a0Sv\u0101tantrya\u00a0(auto confian\u00e7a) de Deus. Sob a vis\u00e3o dualista o amadurecimento de mala e o equil\u00edbrio do\u00a0Karma\u00a0s\u00e3o considerados serem os fatores, mas na vis\u00e3oAdvaita\u00a0o livre arb\u00edtrio de Deus \u00e9 \u00e0 base dele. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lucidez tentaremos explicar \u201camadurecimento de\u00a0Mala\u201d pelo ponto de vistadvaita. Aqui mala significa\u00a0Anava\u00a0Mala(psiquismo individualizado). Os olhos do conhecimento intuitivo do\u00a0J\u012bva\u00a0estiveram sempre fechados desde o in\u00edcio pela impureza na forma de um envolt\u00f3rio, ent\u00e3o ele n\u00e3o \u00e9 capaz de perceber sua natureza verdadeira. Como tudo esta dependendo do tempo e comoMala\u00a0\u00e9 uma subst\u00e2ncia (dravya) por natureza, ent\u00e3o vai amadurecendo gradualmente. O amadurecimento de\u00a0Mala\u00a0\u00e9 devido ao tempo e outras causas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: M.M. Gopinath Kaviraj Traduzido do Bengali por: Pt. H. N. Chakravorty Os antigos fil\u00f3sofos da \u00cdndia sempre discutiram sobre o objetivo supremo do homem e sua aspira\u00e7\u00e3o no seu\u00a0S\u0101dhana. 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